A história, contada pela etiqueta em branco
O nome que preferiu não aparecer.
Num mundo em que a moda grita o próprio nome, um belga costurou na roupa uma etiqueta sem nada escrito.
- Antes
Martin Margiela estuda na Academia Real de Belas Artes da Antuérpia e trabalha ao lado de Jean Paul Gaultier, em Paris. Junto de Jenny Meirens, prepara por quase um ano a própria casa.
- 1988
Em 23 de outubro, o primeiro desfile acontece no Café de la Gare, no Marais — longe dos salões da moda. Crianças do bairro desenham os convites à mão e assistem da primeira fila.
- A etiqueta
Na primeira coleção, a etiqueta é um retângulo branco, vazio, preso por quatro pontos brancos soltos. O nome não aparece. Os pontos aparecem.
- O silêncio
Margiela quase nunca se deixou fotografar e falava pela casa no plural. Desconstruiu a roupa para mostrar como ela é feita — e desconstruiu a fama para mostrar a roupa.
Quatro pontos dizem mais que um nome.





